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YAMÊ ARAM

sábado, 3 de junho de 2017

O BOTO BRANCO II

Quando terminei de encher todas as vasilhas de água, caminhei lentamente até a ponte do porto para tomar meu banho bem devagar. Não precisava mais olhar para minha mãe para ver que ela estava me olhando fixamente, enquanto fazia tudo bem lentamente para irritá-la. Eu era uma criança bem satânica, e sabia como fazer um adulto perder a  cabeça. Queria que ela ficasse bem irada mesmo, já iria apanhar muito mesmo. Com certeza a surra que ela me daria iria machucar-me bastante, mas não mais do que estar morando ali naquele fim de mundo, e à mercê da maldade e incompreensão de minha família.

Terminei de tomar meu banho. Subi lentamente o caminho do porto até a casa. Fui até meu quarto e troquei de roupa, coloquei uma camisa e uma bermuda de panos finos e leves. Não queria proteger minha pele das pancadas que a açoitariam. Estava disposta a ver quanta raiva minha mãe tinha de mim, e quanto dessa raiva ela teria coragem para demonstrar. Meu irmão chorava muito, e pedia para que eu andasse rápido, ou seja, ele queria logo acabar com aquilo tudo. Queria que me entregasse logo nas mãos pesadas e agressivas de Dona Jojó.

Eu queria mesmo, era que ela ficasse o mais irritada possível, para poder demonstrar a mim quanta raiva havia dentro de seu coração. Meu jeito efeminado, e também não posso deixar de dizer, teimoso, faziam=lhe ficar vermelha de ódio. Todos estavam apreensivos por causa do que sabiam que aconteceria. Eu estava em paz e tranquila, queria mesmo, e não sabia o porquê, era que ela batesse-me com toda raiva que seus olhos estavam emanando. Depois que terminei de fazer tudo, caminhei lentamente em sua direção, olhando fixamente em seus olhos. Agora, era eu que a estava encarando. Dentro do meu coração já havia minha sentença decidida e justa, segundo meu espírito, para puni-la, depois que ela terminasse de me espancar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O BOTO BRANCO

Havíamos pulado n'água o dia inteiro. Foi um dia a típico dos que estava acostumada a viver morando no interior. Seu Bené não era o tipo de homem que pensa em diversão. Ao contrário de nós que éramos curumins, que se eles deixassem, ficávamos todos os dias dentro d'água. Eu agradecia a presença de Bembem, que acabava nos puxando para darmos saltos enormes e altos de cima da ponte, e logo mais para frente, de cima do toldo do Barco.

Quando deu por volta de cinco horas da tarde, eu subi, pois era meu dia de encher os potes e os baldes de água. -Oh, coisa que eu detestava fazer! Era o mesmo que me jogar num monte brasas. Chegava ficar vermelha de tanta raiva que sentia.- Perguntei à minha mãe, se eu já podia encher os baldes e os potes de águas. Ela respondeu-me que não queria que eu os enchesse naquela hora, ela queria que eu enchesse de manhã cedo.

Não entendi muito bem o porquê daquela atitude de minha mãe. Mas, eu também não era diferente dela, gostava de fazer tudo no meu próprio tempo. Então, decidi por conta própria encher tudo de água, só de raiva, até as bacias pequenas. Sabia que iria levar uma surra por causa de minha teimosia. Meu irmão já começou a chorar na mesma hora, pois sabia que eu iria apanhar demais. Mas, quando chego nesses momentos onde minha impetuosidade fala mais alto, não penso no pode acontecer ou no que posso fazer.

Minha mãe percebeu minha teimosia, e ficou observando-me subir e descer por dezenas de vezes o caminho do porto carregando dois baldes enormes de água, que eram para um homem adulto carregar, mas seu Bené havia decidido que eu iria virar homem nem que fosse carregando peso. Meu pensamento estava fixo, e não conseguia pensar nem imaginar nada, somente em terminar de encher todas as vasilhas de água, e levar a surra que estava me esperando. Não havia medo em meu coração, somente um silêncio esmagador soava dentro de mim.


quarta-feira, 31 de maio de 2017

O NEGUINHO V

Dona Lolita retirou de uma única vez o meu espírito e o espírito dela de nossos corpos. Foi uma demonstração de poder incrível e medonha. Não tive como reagir, apesar de não gostar de ser tocada em meu espírito por ninguém. Mas, aquela mulher parecia conhecer meu espírito melhor do que qualquer pessoa, e eu só consegui ouvir sua voz soar suavemente: -Não tenha medo curumim! Eu cuido de você. Não irei lhe fazer mal algum. Se isso não for verdade, você pode devorar meu espírito e aprisionar-me em você.

-Suas palavras acalmaram meu coração. Realmente eu já estava preparando-me para atacá-la, quando suas palavras soaram. Nossos espíritos flutuaram sobre sua casa. Seu espírito nem de longe lembrava aquele corpo devorado pelo câncer. Mas, ainda não quero revelar sua glória. Isso fica para depois. Sua voz era poderosa e estremecia meu espírito sempre soava. Seus cabelos luminosos resplandeciam tudo em volta. Ela então, blindou-me com sua alma e espírito, e duas auréolas de luz envolveram-me e aqueceram-me.

-Tu és feiticeiro, curumim! E também é o mais corajoso que já vi. Vou mostrar-lhe o segredo de nossa feitiçaria, e a origem de nosso dom. Se tu viu meu guardião, também posso dar-te o que teus olhos não viram. Só o que peço, e que me liberte deste corpo. Por favor! Não conseguirei partir nem desencarnar se tu não me ajudares. Estou muito cansada e não dou conta mais de carregar essa cruz e esse fardo. Deus sabe muito bem disso! Já conversei com Ele sobre isso e ti. Mas Ele disse-me, que só poderia me ajudar se tu aceitasse me ajudar também.

-Nesse momento eu comecei a chorar porque fiquei com muita compaixão de Dona Lolita. Vi o sofrimento e dor que a atormentavam. Vi também, que o câncer só conseguiria devorar de vez seu corpo depois de trinta anos. E isso, fez-me tomar a decisão que sempre fugi e neguei. Mas que também, estava me colocando em uma encruzilhada. Não conseguia imaginar ver e saber que Dona Lolita iria sofre por quarenta anos com o câncer devorando seu corpo. Eu continuei ouvindo atentamente o que seu espírito estava me falando.

domingo, 28 de maio de 2017

DONA BINHÍ A GRANDE FEITICEIRA XXIII

O fio de fumaça entrou na coluna da Solange e começou a percorrer  todos os ossos de seu corpo, e depois retornou para a mesma vértebra pela qual havia entrado. Dona Binhí, então, sugou com sua boca sem encostar na coluna da Solange, e o fio de fumaça saiu da coluna dela e entrou na boca da Grande Feiticeira, Dona Binhí, a dona da Cabeceira Grande, a guardiã do povo vermelho havia puxado para dentro de seu corpo aquele mal.

Como se estivesse flutuando, Dona Binhí foi até o meio do quintal e soprou o fio de fumaça para o vento, que soprou o fio de fumaça, e imediatamente começou a soprar um vento muito forte que levantou muita poeira, e quase já não dava pra eu vê-la lá fora, mesmo tentando vê-la espiritualmente. Então, percebi que há coisas que devem ficar escondidas, e não se deve ensinar às crianças.

Então, seu esposo que parecia estar familiarizado com aquela situação, levantou-se lentamente sem olhar para ninguém e caminhou o corpo inerte de Dona Binhí, e a trouxe para dentro. Ascendeu um cachimbo com bastante fumo de rolo e o deu a ela. Dona Binhí estendeu a mão esquerda lentamente e levou seu digno fumo à boca e deu três tragadas bem puxadas, e soprou enchendo a casa inteira de fumaça.

Minha mãe, Dona Jojó tossiu pois nunca tinha sido obrigada a sentir e tragar tanto tabaco de uma só vez. Mas, rapidamente engoliu sua tosse pois foi tomada por um susto quando Dona Binhí, à advertiu dizendo que as cobras que haviam curado a Solange precisavam fumar e beber uma cachaça, porque tinha muito tempo que elas não tinham a oportunidade de poder tragar um cachimbo. Mas, que elas haviam curado a filha dela do câncer que consumia seus ossos. Dona Binhí fumou o fumo do cachimbo até o final.

sábado, 27 de maio de 2017

O TERCEIRO ANJO DE JAZEL II

Então, o cavalo Dele que havia mordido a terra três vezes arrancou do buraco que sua boca fizera, um espírito morto a muitas eternidades, e o jogou para cima, e deu-lhe três coices, e o espírito reviveu e gritou bradando: -Eu estava morto e revive! Agora beberei do sangue dos poderosos. Acordem agora todos os homens maus e malignos, e todos os perversos ressuscitem e comecem a andar pela terra em busca de vítimas.

-Então, o Espírito revivido pelo cavalo do Terceiro Anjo de Jazel disse: -Matem todos os poderosos existentes sobre a terra, políticos, empresário, sacerdotes e estrelas que gozam do dinheiro de sua fama. -E os homens maus que ressuscitaram aceitaram imediatamente seu pedido e foram derramar o sangue dos poderosos.

Um rio de sangue e carne correu sobre a face da terra que não bebeu o sangue de nenhum deles, pois o sangue deles era injusto e impuro. Muita dor e pranto caíram sobre a terra, e houve muito lamento e vingança. E Ele continuou gritando: -Não há mais piedade nem benevolência. Não há mais paz para consolar os soberbos e gananciosos. E meu grito não cessará enquanto minha boca não estiver derramando de tanto beber seu sangue.

-Meu espírito perturbou-se muito. E pedi para que me fosse dada oportunidade para interferir contra tanta matança. Mas, dois espíritos seguram-me e disseram-me que não deveria interferir. Mas que deveria somente contemplar o que havia sido decidido como recompensa para o desígnios daqueles que beberam injustamente do suor dos oprimidos, e que agora era a hora das trevas cobrirem a terra e somente alguns raios de luz ficaram brilhando sobre algumas pessoas que caminhavam sozinhas pelas terras desoladas do homens condenados pelo Espírito que havia sido revivido pelo medonho cavalo do Terceiro Anjo de Jazel.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

A CHAVE DO INFERNO V

Belzebu sabia que alguém também era argucioso e inteligente bastante para ter se adiantado. Desde muitas eternidades quando lutaram e  teve que se retirar da batalha, por não conseguir enfrentar aquele que lhe seria para sempre seu adversário, pois havia sido mais astuto e perspicaz, e conseguiu vencer-lhe na batalha que se travou nessa época . Mas desta vez, Belzebu estava mais preparado para ser aquilo que seu principado lhe conferia como poder.

Não havia insegurança em espírito, estava pleno e havia ficado muito mais poderoso. Ninguém mais o havia visto desde que perdeu aquela luta. Mas, ele sabia que havia ido buscar um poder mais antigo e mais oculto, que havia descoberto à muitas eternidades atrás, quando ainda aprendia com seu inimigo, que o amava mesmo sabendo dos desígnios de seu espírito, e o ensinou até o fazer recuar quando lutaram depois da criação do último espírito.

Ele havia esquecido os ensinamentos de seu mestre, e por isso, foi derrotado. Agora ele sentia-se pronto o suficiente para enfrentar novamente aquele que com certeza tinha antecipado-se diante do acontecido. Havia-lhe agora a hora e a oportunidade para abrir as entradas do mundo das trevas para quem estava precisando esconder-se, e foi o que levantou de seu trono e o fez caminhar até confins do inferno.

Rafael caminhava pelas terras do mundo das trevas, seguro do que tinha vindo fazer. Sabia que Satanás o aguardava. Chegou em cima do Monte da Perdição, e parou para observar o lindo castelo, morada do Grande Dragão. De repente um raio negro pareceu-lhe entrar nas terras negras daquele mundo. Nunca havia sentido tanto poder em apenas uma manifestação. Pôde rapidamente discernir quem havia produzido aquele estremecimento que fez alguns montes envolta desabarem tornando-se poeiras sopradas pelo vento tempestuoso que arrasa sempre aquelas terras.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O TERCEIRO ANJO DE JAZEL

Então, o Anjo que ficava sempre à direita de Jazel manifestou-se com grande glória. Todos ficaram muito assustados. Um temor demoníaco apoderou-se de todos os espíritos. O poder que aquele anjo possuía era desconhecido e por isso, todos o temeram. Seu cavalo o mais poderoso e terrível de todos, abaixou sua boca até o chão, comeu terra três vezes, e depois mais uma vez e cuspiu para o ar, vergou sua cabeça até o chão, permitindo que seu principado, o terceiro de Anjo de Jazel, descesse sobre seu pescoço e deitasse-se sobre ele.

Um grande portão abriu-se à sua frente, e de dentro dele um trovão respondeu: -Cegou o tempo e a hora. Tudo será assim: Uma medida de espírito por uma medida de comida. O poder da moeda dos homens acabou. Ninguém mais poderá comprar ou vender. Eles serão subjugados pelo poder da minha balança! Deixe-me ir até eles, minha mãe?

O principado que estava deitado sobre o pescoço de cavalo que continuava com a boca dentro do buraco que abriu na terra com suas mordidas, respondeu: -Pois o tempo dos homens é teu. Vá e julgue a todos. Mas sabia, que há quem teu julgo não oprime, atente para reconhecer quando estiver em sua presença.

Meu espírito retornou para a frente daquele portão enorme, e sua luz apagou, e com um grande estrondo, um enorme anjo das trevas saiu de dentro dele, seguido por uma nuvem de destruição, e tudo tornou-se negro. A nuvem de trevas que o seguia estendeu-se rapidamente sobre o firmamento da terra. Então, ele pegou com a mão direita o poder financeiro dos homens, e o quebrou ao meio, e vi os homens enlouquecerem por não ter mais dinheiro para comprar ou vender. Todos tornaram-se maus e malignos, e começaram a matar-se uns aos outros sem piedade.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

SEU OSCAR O FEITICEIRO QUE MORREU 20 VIZES IV

Finalmente chegou o dia da festa de São Francisco das Chagas. Meu coração palpitava como se estivesse querendo pular pela minha boca. Apesar que gostar de festa, queria mesmo era poder achar o caminho para a casa de Seu Oscar. Sabia que ele estava me esperando. Tinha certeza que ele estaria me aguardando aparecer pelo caminho oculto que levava à sua casa. Estava ansiosa demais para vê-lo e para poder conversar sobre tudo o que sabia que em seu coração retumbava sobre nosso encontro quando me deu de presentes os peixes maravilhosos.

Minha mãe, que é evangélica, estava um pouco reticente sobre irmos participar de uma festa que ela considerava pagã e demoníaca. Não a culpava por essa indecisão e julgamento que seu coração sentia sobre a festa que iríamos participar. Ela sempre fora evangélica desde muito cedo, e não conhecia outro tipo de fé e religião que não fosse a pregada pela Igreja Assembleia de Deus no Brasil. É uma mulher que nunca cortado seu cabelo pois pertence a Deus, e também porque a igreja proíbe às mulheres cortarem seus véus.

Seu Bené ao contrário já era um homem volúvel. Agia e cria em tudo segundo a conveniência de seu coração. Não respeitava a fé de minha mãe, nem mesmo o pastor de sua igreja, para o qual já havia puxado o gatilho de  uma espingarda calibre dezesseis em pleno culto. Não ligava muito para fé, era um caboclo sofrido e experimentado em dor. Cria somente na força de seus braços, na lâmina de seu terçado, e no poder de fogo de sua espingarda. Não tinha medo nem temor de nada. Era destemido e corajoso, embora, eu o achasse mais violento do que forte.

A Solange já estava muito empolgada para que fôssemos à festa. Iríamos dançar e comer a vontade. Também estava louca e ansiosa para encontrar um jovem rapaz pelo qual estava apaixonada. E, estava fazendo todas as forças para que fôssemos curtir a festa que duraria três dias. Casa para dormirmos não faltaria. Éramos novos naquela região, e todos estavam curiosos para nos conhecer, e também para saber se éramos todos evangélicos ou não. Lógico, que eu era a que mais queria que eles soubessem que eu não era nem seria, e que era como eles, cabocla da mata e da feitiçaria.

A LIBERTAÇÃO DE LILITH III

Gabriel estava com seus exércitos acampado sobre o Monte Sagrado, de frente para o leste, e por uma decisão própria, havia enviado seu principado mais fiel à uma missão ousada e transgressora, mas estava em paz com seu coração. Havia sentido a vinda de Miguel, o único que com certeza responderia seu chamado urgente. Estava certo de tudo que seu coração tinha decidido durante a madrugada, e que fora executado pelo nascer do sol. Sempre fora sozinho em sua missão, só contava com o apoio do Seu guardião e protetor, o Arcanjo Miguel.

Miguel sabia que pela perspicácia e inteligência, que sempre foram características da personalidade mais íntegra e leal, que Gabriel, o agora  Arcanjo, seu discípulo mais amado, com certeza o estaria esperando. Ele já teria sentido tudo, e tomado alguma decisão imediata, e com certeza, muito perigosa. Era o que mais lhe preocupava, as vezes aquele Arcanjo adolescente era impetuoso e afobado demais. Claro, que passava em seus pensamentos, que Gabriel sempre lhe fora um enigma, porque sempre suas atitudes haviam dado certo, mas que poderia estar errado daquela vez.

Mas, não era só isso que o atormentava, o que havia acontecido no quinto céu, onde ficava a sala da criação, o santuário que somente o Espírito da Verdade, Deus, o Amém e o Assim Seja, porque no nesse quinto céu, nenhum outro espírito havia se sequer descoberto onde ficava sua localização, era sagrado demais para que se pudesse se pelo menos imaginá-lo. Mas, sua última criação havia chamado a atenção de tudo e todos. Não era normal tanta glória na criação de um único espírito. Algo parecido havia acontecido a muitas eternidades atrás.

Belzebu sentiu-se impelido a invocar um poder mais antigo, fazendo um sacrifício eterno, e que lhe colocava sozinho na batalha que mostrava-se ser de deuses, e não podia perder tempo, um adversário poderoso o estava aguardando em algum lugar. Seu andar monstruoso e tremendo, assustou outros principados, e colocou um alerta de perigo no ar. Ele estava calado a muitas eternidades, não que fosse de falar muito, porque só falava quando era extremamente necessário. E aquele parecia ser um momento imperioso para soar sua poderosa voz de principado.





A VERDADE DOS VAMPIROS IV

Contei por alto para Fernanda o que estava comigo. Ela assustou-se um pouco, mas acabou ficando mais curiosa do que com medo. Isso de certa forma me preocupava porque a amava demais. Fazíamos tudo juntos, até sermos expulsas de sala de aula juntas, porque não parávamos de rir sobre alguma coisa. Éramos unha e carne, a tampa e a panela. Mas, isso começou a afeta-la, e tive que afastar-me um pouco para que não sofresse ataques que não teria como se defender. Ela era linda, e eu não a queria morta. Já tinha visto o que duas bruxas tinham feito com outra amiga minha que quase morreu, se eu não tivesse encontrado seu espírito a tempo,  que também se chamava Fernanda.

Ela havia me dito que três vampiros entraram dentro de seu quarto e a jogaram da cama fazendo seu corpo bater pelas paredes do quarto. Quando vi as manchas em seu corpo não tive dúvidas que era sua mãe que havia feito aquilo com ela, e que estava mentindo. Mas, achei que fosse uma forma dela lidar com a agressão sofrida, então, não quis inquiri-la a fundo sobre o acontecido. Somente lhe dei carinho e cuidei para que ela não fosse mais agredida por sua mãe. Até porque, eu sabia que não existia vampiros ou coisa parecida.

Depois de deixa-la em casa, dirigi-me à discoteca para comprar uns cds que queria muito, mas antes, eu resolvi passar em uma cafeteria para tomar um café expresso com beiju de tapioca, que amo de paixão. Quando estava deliciando-me com o café e três beijus de tapioca que pedi, um homem misterioso aproximou-se de minha mesa olhando dentro de meus olhos. Havia alguma coisa enigmática  naquele olhar. Ele parecia está falando dentro de minha mente. Como não conhecia ninguém capaz de fazer isso, bloqueei seu ataque somente mostrando-lhe em seus pensamentos o que ocultava de todos os seus companheiros.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A CIDADE SAGRADA V

Quando saímos para fora da carta sagrada, e retornamos à mesa onde estávamos sentados antes, o homem perguntou-me novamente: -Você tem medo agora, Yamê? -Seus olhos estavam mais profundos e enigmáticos, e parecia estar perscrutando meu espírito para vê se achava medo mim.

Podia sentir seu espírito dentro do meu, e por um pequeno momento, isso me incomodou. Meu espírito moveu-se com grande poder, e o expulsou para fora de mente. Então, quando olhei em seus olhos novamente, ele sorriu dizendo: -Perdoe-me, Yamê! Vejo que não há medo em seu coração.

-Sorri-lhe de volta sarcasticamente, e disse-lhe: -Pode virar a segunda carta. Estou pronta para vê-la e saber o que ela nos diz. -Ele sorriu ironizando-me, como se quisesse provocar algum tipo de reação em meu espírito. Mas, eu estava segura e já estava ciente que teria ver essas revelações espirituais apocalypcas, e a suportar e responder às inquirições que me eram feitas por espíritos incubidos de revelarem-me essas coisas terríveis do mundo espirituais, e que estavam totalmente interligadas com o mundo dos homens.

Quando ele virou a segunda carta, fomos novamente transladados para a mesma encruzilhada onde havíamos visto a mulher que possuía a destruição em suas mãos se manifestar. Uma nuvem negra se enrolou até quase desaparecer, e depois explodiu como uma bomba atômica, e partiu todas as outras nuvens ao meio, e um cavaleiro, cujo corpo era somente uma caveira, montado em um cavalo que era como seu dono, só caveira, saiu de dentro dela e começou a devorar muitos homens e muitas árvores e animais, que eram tragados para dentro da boca do cavalo, e passavam a fazer parte daquele principado horrendo que estava manifestando-se sobre a terra.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A CHAVE DO INFERNO IV

Ninguém sabia ao certo que relíquia havia sido roubada do sétimo céu, o céu dos segredos. Rafael havia chegado ao mundo das trevas com seus exércitos, e deu ordem para que esperassem-no do lado de fora da entrada dos portões. Ele sabia que se entrasse com eles ali, a guerra estaria definitivamente declarada, e não era sua intenção provoca-la antecipadamente. Queria antes, conversar com Satanás sobre o acontecido.

Satanás estava em pé na varanda que dava de frente para seu jardim de rosas negras, que produziam flores que jamais secam ou murcham, e que ninguém do mundo das trevas havia visto ou contemplado seu precioso jardim secreto. O Diabo, o único a ter acesso ao aposentos sagrados de Satanás, mandou reforçar a guarda que vigiava a entrada para as câmaras secretas onde ficava localizado o lindo jardim negro de Satanás.

-Tu sabes que a estrela de Deus desceu até aqui para nos incomodar antes do tempo, Satanás? Ele está agora caminhando sozinho pelas estradas da escuridão, enquanto seus exércitos ficaram aguando do lado de fora da entrada de teu reino. Parece que Ele veio em paz pelo que pude discernir.

-Rafael é a mais poderosa estrela de Deus, Antiga Serpente. Deixe-o chegar até mim. Cuide também para que nenhum dos nossos o incomode, já que Ele está vindo em paz como tu dizes. Gosto da forma com você discerne os espíritos de todos. Sempre a admirei por essa capacidade, abra caminho para que Rafael chegue mais rápido até mim, e controle nossos exércitos para que não o incomode. Só não os mate, pois sei que gosta de ser impiedosa.

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